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18/05/17 09:10

Nando não é nenhum Roberto, mas colhe frutos no show 'Jardim–Pomar'

Oitavo álbum solo gravado em estúdio por Nando Reis

Oitavo álbum solo gravado em estúdio por Nando Reis, Jardim–Pomar (2016) é fruto de reflexões maduras do cantor, compositor e músico paulistano sobre a vida, a morte e o amor. É um disco quente, de clima roqueiro, cuja pulsação valoriza safra autoral de bom nível, mas nem sempre arrebatadora como a irresistível balada Só posso dizer (Nando Reis, 2016), eleita o primeiro single do álbum. O show Jardim–Pomar, cuja turnê nacional (iniciada em março deste ano de 2017) chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 12 e 13 de maio em apresentações que lotaram a casa Metropolitan, segue a linha do disco.


Já no primeiro número, Infinito oito (Nando Reis, 2016), o show apresenta os frutos de sabor roqueiro, quase grunge, do disco. Não por acaso, o ex-titã canta logo na sequência Infernal (Nando Reis, 1999), rock que batizou disco de tom de garagem lançado pelo artista em 2001. Em seguida, Inimitável (Nando Reis, 2016) mantém o clima roqueiro de show que jamais perde a pressão, a pegada – mesmo quando envereda pelas canções de amor – e o entusiasmo do público.


Aliás, antes de cantar Lobo preso em renda (Nando Reis, 2016), balada introduzida por vocais de tonalidade gospel, o cantor caracterizou – na apresentação de 13 de maio de 2017 – o encontro entre artista e público em show como o ápice e a finalidade do ato de compor para fazer um disco. A fala do artista provou ter sentido já na música seguinte, Os cegos do castelo (Nando Reis, 1997), cujo refrão foi cantado a plenos pulmões pelo público que encheu a pista da casa Metropolitan na referida apresentação de 13 de maio. Refrão que em certo momento foi cantado somente pelo público cúmplice, a pedido do próprio Nando.

Cabe ressaltar, aliás, que Nando é o único titã que realmente se firmou na carreira solo com forte adesão popular (Arnaldo Antunes é igualmente celebrado pela crítica, mas tem público mais bem reduzido em shows). Tanto que Nando se permitiu montar roteiro inteiramente autoral com algumas músicas ainda recentes – caso da autobiográfica balada 4 de março, uma das várias canções apaixonadas inspiradas pela musa Vânia Passos, mulher do artista – sem que o público se ressinta do razoável teor de novidade desse roteiro. Talvez porque, apesar da natureza roqueira exibida com orgulho no show, o artista seja também fértil compositor de baladas como Pra você guardei o amor (Nando Reis, 2009), Nos seus olhos (Nando Reis, 2006) – cantada por Nando em dueto com a vocalista Gil Miranda – e Luz dos olhos (Nando Reis, 1996).


Reapresentada no show Jardim–Pomar em clima de power folk-rock, Luz dos olhos é balada lançada em disco pelo grupo Cidade Negra, mas ficou associada à cantora Cássia Eller (1962 – 2001), musa que inspirou a canção All star (Nando Reis, 2000), pretexto para Nando falar da afinidade com Cássia, intérprete visceral (mas de paradoxal delicadeza quando interpretava baladas) que tomou para ela canções como Relicário (Nando Reis 2000) e O segundo sol (Nando Reis, 1999), ambas também presentes no roteiro do show.

Com os afiados toques infernais de músicos como o baixista Felipe Cambraia e o heavy guitarrista Walter Villaça, canções como N (Nando Reis, 2006) e Sou dela (Nando Reis, 2006) – ambas de Sim e não (2006), álbum em que o compositor mais deixou aflorar a assumida influência de Roberto Carlos – ganharam pegada no show.


Não, Nando Reis não é nenhum Roberto, mas, ao alinhar composições como Por onde andei? (Nando Reis, 2004) e Sutilmente (Nando Reis e Samuel Rosa, 2008) no roteiro totalmente autoral do show Jardim–Pomar, o já desenvolto e eficiente cantor reitera ter força de titã como compositor. A colheita autoral tem sido farta e abastece carreira solo iniciada em 1994 que floresce com público cada vez maior. (Cotação: * * * *)


(Créditos das imagens: Nando Reis em fotos de Mauro Ferreira em apresentação do show Jardim–Pomar na casa Metropolitan, no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 2017)

FONTE: G1 Música


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